quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Estudo etnográfico por meio da análise de cenas do filme “Xingu”, de 2012.

 Atividade do PIBID:

O encontro com o "outro"

Estudo etnográfico por meio da análise de cenas do filme “Xingu”, de 2012.




Alunos: Jéferson Cajueiro

  Nayara Alves


Contexto do filme: 


O filme se passa no período do Estado Novo (1935-1947), estabelecido aṕos o golpe de estado do presidente Getúlio Vargas. O período ficou conhecido pelo autoritarismo e pelo forte nacionalismo. Entre as políticas públicas adotadas por Vargas, uma em específico está diretamente ligada ao contexto do filme: a Marcha para o Oeste, que consistia em expedições com o objetivo de integrar e desenvolver regiões inexploradas pelo homem branco. O foco era a exploração de territórios das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. A expedição Roncador-Xingu foi uma dessas expedições.


Sinopse:


O filme tem como personagens centrais os sertanistas Cláudio, Orlando e Leonardo Villas-Bôas e a participação fundamental deles na expedição Roncador-Xingu. No filme, é mostrado que os irmãos Villas-Bôas tinham a curiosidade em desbravar o desconhecido, no entanto, por não serem leigos, para a expedição para as regiões inexploradas pelo Brasil, pessoas como eles não eram boas opções de escolha para o exército. Para conseguirem a aprovação na seleção, os irmãos se passam por analfabetos e, assim, partem na expedição. Mesmo tendo consciência do viés exploratório da expedição, os irmãos Villas-Bôas, quando em solo indígena, mudam abruptamente de posição e se colocam contra as medidas radicais do governo nacional e do estado do Mato Grosso. Os irmãos Villas-Bôas passam a lutar junto aos índios para a demarcação de forma oficial de um espaço amplo  e isolado para a vivência das famílias indígenas da região. Os esforços dos irmãos culminam na criação do Parque Nacional do Xingu, em 1961, e na formulação de uma nova política indigenista no Brasil.



Filme: Xingu


Ano: 2012


Diretor: Cao Hamburger

Cenas:

Marcação

Tempo

Roteiro (parte verbal})

Imagem:

Parte Sonora

09min8



 

O som emitido pelos índios é confundido com o de uma onça e causa estranhamento no grupo da expedição Roncador-Xingu. O primeiro contato com a cultura indígena se dá nesse momento.


09min24 



Índio emite som parecido com um gemido agonizante e apavorante.

09min40 



10min05 



10min11 



10min58

Cláudio para membro do grupo: “baixe a arma!”



12min15 

Cláudio: “o que o governo chama de terra desocupada na verdade tem dono”



13min02



14min03



14min09 




14min20



Índios se comunicam/gritam entre si para avisar da chegada dos intrusos no local onde se encontravam.





14min35 



16min08 



17min17



18min21 



19min

Orlando: Orlando.



19min03



19min06

Cacique se apresenta e apresenta os membros da tribo aos homens brancos na língua deles.



19min41



19min55



21min40




21min58



22min14



22min30 



23min24 



24min53 



28min42



30min10

Cláudio: “Para mim, eles não eram selvagens. Eu simplesmente estava diante de outra civilização. O encontro mudou nossas vidas para sempre.”




31min54



32min19 

Leonardo: “Epidemia gripe entre os índios. Necessitamos penicilina urgente,”



32min32 

Leonardo: “Eles estão morrendo.É grave. É urgente. Manda comprar.”



34min23 

Cláudio: a gripe levou metade da aldeia.”



34min47

Claudio: “Não sei. só sei que branco não pode entrar.” (ao ser questionado por Leonardo sobre o que fazer diante daquela situação)



35min59 



36min57 - 37min29 

Cláudio: "nos sentíamos responsáveis com tudo o que viesse a acontecer com eles. Afinal, eles não nos procuraram. Nós é quem invadimos suas terras. Nada mais justo do que protegê-los contra tudo e contra todos."



40min12



41min47

Cláudio: “Totomai, é responsabilidade nossa. A gente é responsável. Vocês não podem brigar entre si. A gente tem que se ajudar. O inimigo é o branco"




42min38 



44min18



46min13 

Noel (médico): “civilizar é o jeito mais rápido de acabar com eles (índios).”



46min16

Cláudio: “O que tinha que fazer era separar uma área grande. Quase um país.”



46min22 

Orlando: “É isso. Um lugar onde eles fiquem resguardados.”



47min10



49min37

Cláudio: “Uma base militar na Serra do Cachimbo é um desastre. Uma das últimas aldeias não contatadas habita essa região.”



50min15 - 50min48

Orlando: “Eu proponho uma troca. Fazemos a base, abrimos o caminho e, em troca, vocês isolam uma área. Uma boa área... pros índios do Xingu.”

Membro da equipe que visita o local pergunta: “Um acampamento? Um posto? Acho que o governador não se oporia.”

Outro membro diz: “nós também podemos ceder uns hectares.”

Claudio: “um acampamento não. Um parque indígena.” 

Membro da comitiva: Uma cidade de índios. É isso?.” (risos)

Cláudio:  “uma cidade não. Um estado.” 




51min33 



51min38

Cláudio para índios Caiabis: Caiabi ajuda a construir a base e depois a gente faz aldeia grande Caiabi no parque nessa terra que cacique branco vai dar.



52min31



01h55s 

Membro da comitiva tenta comprar os irmãos numa conversa com Cláudio: “um gesto simbólico do governador. Pode ser fazenda de gado, plantação, o que for do gosto de vocês.” Entrega um envelope a Cláudio. 

Cláudio ri com indignação e diz: “essa terra já tem dono.”




59min42s



59min52s



Hino Nacional tocado no vinil na inaguração da Base Militar do Cachimbo

01h26s



01h03min36 - 01h03min56


Cláudio: “o que vocês estão fazendo aqui? Isso aqui é território indígena.”

Fazendeiro: “e desde quando índio tem terra?”

Cláudio: “Desde sempre. Vocês estão invadindo o território deles. Aqui é terra Trumai.”

Fazendeiro: “Que terra Trumai? Essa terra é minha. quem me deu foi o governador.”

Claudio: “Eu acho melhor vocês saírem daqui. Eu tô avisando, hein?”

Capanga: “Ninguém aqui tem medo de índio não, moço.”

Claudio: “E nem eles têm medo de vocês, rapaz.”




01h04min49 

Orlando para a imprensa: “responsabilizamos o governo do Mato Grosso pelo atual estado de guerra na região do Xingu. Uma política desastrada de distribuição aleatória de terras ancestrais de povos indígenas"



01h06min44



01h11min03



01h14m06s



01h24min20 

Orlando: “isso aqui é terra dos Kren” (Orlando ao discordar da definição da localização de um trecho da rodovia Transamazônica, por ser território de índios que nunca tiveram contato com o homem branco. 

Major: “Orlando, eu não sei se você percebeu, mas, as estradas, por enquanto, estão respeitando as suas fronteiras.”

Orlando: “tá. Obrigado. Eu Agradeço a consideração, mas os Kren nunca viram um homem branco antes. Eles podem reagir mal.”

Major: “Tire eles de lá. Limpe o caminho, mas tem que ser rápido. “

Orlando: “Major, será que não não dá para deixar eles mais um tempo lá nessa condição  de isolamento?”

Major: “não dá. E depois não achamos que isolamento seja bom para ninguém. Progresso sim é bom. Até pra índio.”

Orlando: “não, não é. Desculpa discordar, mas não é. Até para nós eu tenho dúvidas. Mas, pra eles progresso não é bom e nem necessário.”




01h32min59s




01h33min51s



01h35min30s





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Resenha do livro "O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação", de Haruki Murakami




Escolhi fazer a leitura e a resenha do livro "O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação", de Haruki Murakami, pois a professora Andrea já tinha me recomendado a leitura do livro antes do Pibid e eu ainda não tinha tido a oportunidade de realizá-la. Boa recomendação da professora. O livro apresenta momentos tristes, momentos de felicidade e outros apenas de confusão. No livro, conhecemos Tsukuru Tazaki, homem de meia idade que passa pela vida sem grandes acontecimentos, devido a traumas do passado. Apesar de o protagonista se desprender de alguns problemas de sua vida, acredito que o leitor é quem mais aprende com o livro. Definitivamente, é um livro que modifica o leitor e sua forma de ver a vida.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Sugestão de leitura: artigo "Letramento Ideológico", de Aline Amorim

        Deixo hoje uma indicação de leitura sobre as questões de letramentos múltiplos e multiletramentos, que me ajudou muito no entendimento da necessidade da adoção dessas abordagens de ensino, que são as com que me identifico. Aline Matos de Amorim elaborou um artigo completo sobre essa temática, não se limitando aos aspectos teóricos, hoje, já explorados exaustivamente por meio de artigos e livros e que têm a autora Roxane Rojo como uma grande pesquisadora nacional nesses estudos.



Roxane Rojo. Imagem da Internet


        Amorim explicita a importância de levar as práticas de ensino-aprendizagem para além da cognição, para além do letramento autônomo. Na perspectiva do letramento tradicional, o aluno é levado a interpretar, a receber o que lhes é proposto e aprender com isso. É uma via de mão única, não havendo assim, uma troca. No letramento ideológico, por sua vez, o aluno é colocado como elemento central na prática de ensino-aprendizagem, sendo o responsável por apresentar suas demandas de conhecimento. O professor assume uma postura de pesquisador e de mediador na relação entre as informações disponíveis nos diferentes meios e os alunos ávidos por conhecimento e por serem reconhecidos como seres pensantes, que têm muito a agregar/ensinar e não só a aprender. Diferente do modelo autônomo, que impõe e apaga as identidades culturais e as diferentes formas de letramentos, a abordagem ideológica  mostra que os letramentos são múltiplos, destacando as relações socioeconômicas, culturais e de poder, que estão presentes na sociedade. Além disso, mostra também as manifestações identitárias dos povos, as abordagens multimodal e multissemiótica e a pluralidade de ideias e de formas de expressão presentes na sociedade.

Como dito anteriormente, Amorim não só faz uma revisão bibliográfica. Ao utilizar a Linguística Aplicada (LA) no estudo, a pesquisadora propõe um projeto literário, focalizando mais no que compreende a leitura. A autora destaca que o método de leitura escolhido por ela é o sociopsicolinguístico, devido ao protagonismo do aluno no processo de leitura, onde ele agrega ao que está posto no texto, mas também aprende com a obra e com a mediação do professor.

Amorim fala também sobre a importância de se trabalhar com projetos interdisciplinares e transdisciplinares, alertando para a importância de se colocar esses projetos como pautas fundamentais nas semanas pedagógicas. 

A pesquisadora disponibiliza um modelo de projeto literário, mas diz que ele não deve ser utilizado pelos professores da forma como está no artigo, pois alí é só um esqueleto de ideias. Caso o professor apenas “aplique” o projeto, ele não estará se atentando aos propósitos da LA e nem dos letramentos. Amorim também explica que os eventos de letramentos podem e devem contar  com professores de diferentes áreas do conhecimento, utilizando das temáticas abordadas nas obras como fios condutores para as atividades de suas disciplinas. A autora também destaca que a disciplina de Língua Portuguesa é fundamental nesses eventos, pois a leitura e a escrita são partes fundamentais na compreensão de qualquer outra disciplina.

Fica então a minha recomendação desse artigo que é uma leitura obrigatória para pessoas que, assim como eu, tenham o sonho de serem atuantes nas mudanças das práticas de ensino-aprendizagem.



AMORIM, A. M. Letramento ideológico em ações didáticas interdisciplinares: uma proposta de projeto literário. Leitura. Maceió, n. 67, set./dez. 2020. p 325-339

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Palestra PIBID e PRP nas escolas de Alagoas: interações, conexões e saberes 25/01

          

         


        Na palestra, a professora Isabel Higino abordou a questão das relações afetivas nos espaços de formação. Higino destacou que esse tema é pertinente para o período que vivenciamos: o período de pandemia. A professora relata que o período de pandemia a atingiu fortemente, levando em consideração que ela é uma pessoa muito ativa e que valoriza as interações sociais.

A professora inicia a palestra com uma definição para o termo afetividade: um conjunto de fenômenos afetivos, íntimos e individuais. Segundo ela, os momentos vivenciados determinam a intensidade dos afetos. Ela ainda destaca fatores como a moral, a ética, a autoestima, a empatia e outros como diretamente relacionados à afetividade. Sobre a palestra, Higino diz que, mesmo a afetividade estando diretamente ligada à vida do indivíduo, de uma forma geral, o foco da discussão é na interação no processo de construção do conhecimento.


A professora destaca que sentir-se "amparado" é um fator determinante para sentir-se estimulado a realizar as atividades propostas. Num outro momento, a professora reafirma essa questão ao falar que as relações interpessoais/interações sociais têm a capacidade de ajudar os alunos na superação de dificuldades. 


Sobre o emocional dos professores, Higino destaca que as vivências deles como  profissionais exigem muito mais deles do que as próprias atribuições da profissão. A professora também reflete sobre  o quão interessante seria pensar a afetividade dentro dos currículos dos profissionais da educação como um pressuposto teórico que iria incidir diretamente na formação de indivíduos.


A professora fala que os ambientes de aprendizagem, em grande parte, ainda focalizam apenas na racionalidade. Segundo ela, a escola costuma se isentar das relações afetivas. Para ela, excluir as questões do afeto, é um grande problema.


A professora destaca a fala de uma outra pesquisadora sobre a recente mudança do papel do professor no processo educacional, num mundo globalizado e tecnológico, onde os alunos têm facilidade de acesso à informação. Na reflexão da citação, Higino explica que o professor tem deixado o lugar de ser repassador de conteúdo para assumir a posição de mediador, unindo fatores cognitivos e afetivos para auxiliar o aluno. 


quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Quinta reunião do grupo do Pibid 20/01/21

 


A nossa quinta reunião teve início com instruções do professor Luiz às professoras-supervisoras para a realização de atividades específicas a serem desenvolvidas por elas. Posteriormente, tivemos uma segunda rodada de apresentações das resenhas do livro “O filho de mil homens”, de Valter Hugo Mãe.


Na sequência, a professora Andrea fez uma revisão de conteúdos abordados na reunião do dia 02/12. 


Professora Andrea: “A língua é uma forma de interagir, não só uma estrutura” 

  • Letramentos - articulação

  • Concepção de língua/linguagem

  • Dimensão política

  • Abordagem teórico-metodológica


Faraco tem uma concepção de língua/linguagem aliada a Bakhtin. Para ele, a natureza da língua é heterogênea e é mais do que uma instituição de forma/gramática, ela é uma instituição política e social, que mostra a identidade e valores.


Considerações teórico-metodológicas


  1. Perspectiva de natureza social


  1. Modelo=abordagem=metodologia

  • Modelo genérico de letramento:  texto escrito dissertativo 

  • Modelo ideológico de letramento: práticas sociais específicas de leitura e escrita

  • Modelo considera além do texto, a socialização e em como esse processo acontece para o aprendizado do aluno. O sentido vem de um contexto - identidade social. 


As propostas de letramentos devem fazer sentido para os diferentes grupos sociais.


Abordagem teórico-metodológica da etnografia educacional


Para Fritzen (2012), é preciso olhar a realidade sob o ponto de vista do aluno. 

Isso permite descrever a cultura.


Notas:


  1. Para o dia 24/02 ficam agendadas as entregas das resenhas dos livros indicados na reunião passada e também uma nova atividade:


Assistir o filme Xingu, de 2012, do diretor Cao Hamburger, e a partir daí, dar início a um breve estudo etnográfico.

 

  1. Quem é o outro? 

  2. Atentar o contato dos irmãos Villas-Bôas com o outro (povos indígenas) 

  3. Como olho para o outro a partir do olhar dele? 



   2)  Livro para leitura futura:

LETRAMENTOS SOCIAIS: abordagens críticas do letramentos no desenvolvimento, na etnografia e na educação - Brian Street

(Parágrafo página 44)


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Quarta reunião do PIBID 13/01




Na quarta reunião do PIBID, os professores Luiz e Andrea  falaram ao grupo sobre a importância do desenvolvimento do hábito de leitura.

No entanto, o destaque da reunião ficou por conta das apresentações das resenhas em vídeo do livro “O filho de mil homens”, do autor Valter Hugo Mãe, por parte de alguns bolsistas. Após as apresentações, os coordenadores deram feedbacks das resenhas aos alunos que apresentaram e sugeriram uma nova rodada de apresentações para a semana seguinte.


Por fim, a  professora Andrea propôs a elaboração de uma nova resenha em vídeo, apresentando duas opções de livros: “O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação”, de Haruki Murakami, e “A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery.


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Análise do material da professora supervisora




A professora nos apresentou as atividades desenvolvidas por ela na escola durante o ano passado. O material segue as orientações da Secretaria de Educação, sob as quais os professores devem desenvolver atividades, baseando-se em temas predeterminados por área de ensino. As atividades desenvolvidas por ela basearam-se no tema “Educação para o consumo: a diferença entre consumo e consumismo”. Ainda sobre as determinações gerais que ela deveria seguir, nos foi apresentado o modelo de “roteiro quinzenal”, material elaborado pela professora com as atribuições dos alunos para um período de quinze dias, e que, é disponibilizado de forma online e off-line.

As atividades propostas pela professora no ano passado parecem seguir uma perspectiva mais tradicional de ensino-aprendizagem, muito provavelmente, devido às orientações que ela deveria seguir. Ainda assim, a professora se mostrou aberta aos interesses dos alunos, focando a execução das atividades na participação e nas expressões individuais deles. Quando os alunos a questionaram se poderiam fazer as atividades de uma forma diferente da proposta inicial, ela prontamente aceitou. Sobre as atividades que os alunos elaboraram, é possível perceber que houve dedicação e muita criatividade.

Reunião do grupo geral do Pibid 14/04

Os projetos começam a ganhar vida Na reunião do grupo geral do Pibid, que aconteceu na tarde desta quarta-feira, as professoras supervisoras...